segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

"Não sou boa com números, com frases feitas e com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme.

Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa e um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui."

(Fernanda Mello)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Metades

...que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
E que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada...
Porque metade de mim é o que eu penso, mas a outra metade é um vulcão".

(Ferreira Gullar)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Falling Slowly




I don't know you
But I want you
All the more for that
Words fall through me
Always fool me
And I can't react

Games that never amount
To more than they're meant
Will play themselves out

[chorus]
Take this sinking boat
And point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice
You have a choice
You've made it now

Falling slowly,
Eyes that know me
And I can't go back
Moods that take me
And erase me
And I'm painted black

You have suffered enough
And warred with yourself
It's time that you won

Take this sinking boat
And point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice
You have a choice
You've made it now

Falling slowly
Sing your melody
I'll sing along

(Glen Hansard e Marketa Irglova)

domingo, 4 de outubro de 2009

O resumo do meu mundo

"Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto."

Martha Medeiros

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Pedaços de Mim

“Eu sou feita de
sonhos interrompidos
detalhes despercebidos,
amores mal resolvidos

Sou feita de
chôros sem ter razão
pessoas no coração,
atos por impulsão

Sinto falta de
lugares que não conheci
experiências que não vivi,
momentos que já esqueci

Eu sou
amor e carinho constante
Distraída até o bastante,
não paro por instante


tive noites mal dormidas
Perdi pessoas muito queridas,
cumpri coisas não prometidas

Muitas vezes eu
desisti sem mesmo tentar
Pensei em fugir pra não enfrentar,
sorri para não chorar

Eu sinto pelas coisas que não mudei
Amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.”

(Martha Medeiros)

domingo, 17 de maio de 2009

Quem sou

Sou quase normal por fora, pra ninguém desconfiar. Mas por dentro eu deliro e questiono.
Não quero uma vida pequena, um amor pequeno, uma alegria que caiba dentro da bolsa. Eu quero mais que isso.
Quero o que não vejo. Quero o que não entendo. Quero muito e quero sem fim.
Não cresci pra viver mais ou menos, nasci com dois pares de asas, vou aonde eu me levar.

Fernanda Mello

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Intensamente eu


"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos."

Clarice Lispector

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Meus quases


E como nasci? Por um quase. Podia ser outra. Podia ser um homem. Felizmente nasci mulher. E vaidosa. Prefiro que saia um bom retrato meu no jornal do que os elogios. Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo.

Clarice Lispector

domingo, 26 de outubro de 2008

Em essência


por onde queres entrar: boca, ouvido, vagina?
então entre e fique bem dentro, muito além da periferia
inicie sua turnê pelo interior do meu corpo e descubra
que há muito mais que um estômago, um fígado e dois rins
habita em mim uma cidade, um povaréu, outro planeta
experimente meu sangue, dê cá sua língua, lamba
sinta do que é feita minha umidade, e com muito tato,
desdobre meus pensamentos, que é aquela coisa enroscada
ali no meio do cérebro, desmonte, sacuda, não tenha medo
se cair não quebra, são várias idéias robustas
brigam entre si mas se gostam, moram na mesma casa
e onde faz barulho é o coração, musculoso e aflito
tem um som, reverbera, ora forte ora rançoso, chegue perto
e agora venha cá espiar com meus olhos, veja o que eu vejo
de que jeito enxergo o mundo de dentro pra fora, agora a alma
aproxime-se e toque, tirando o resto, a alma é o que sobra.

Martha Medeiros - Cartas Extraviadas e Outros Poemas

domingo, 19 de outubro de 2008

Entre a Serpente e a Estrela


Toco a vida prá frente
Fingindo não sofrer
Mas o peito dormente
Espera um bem querer

(Zé Ramalho)


sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Mad World - R.E.M

All around me are familiar faces
Worn out places - worn out faces
Bright and early for their daily races
Going nowhere - going nowhere
And their tears are filling up their glasses
No expression - no expression
Hide my head I want to drown my sorrow
No tommorow - no tommorow

And I find it kind of funny
I find it kind of sad
The dreams in which I'm dying
Are the best I've ever had
I find it hard to tell you
'Cos I find it hard to take
When people run in circles
It's a very, very Mad World

Children waiting for the day they feel good
Happy Birthday - Happy Birthday
Made to feel the way that every child should
Sit and listen - sit and listen
Went to school and I was very nervous
No one knew me - no one knew me
Hello teacher tell me what's my lesson
Look right through me - look right through me



segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Várias dela

" Só se sente nos ouvidos o próprio coração....
....Pois nós não fomos feitos
senão para o pequeno silêncio."

"Por enquanto estou inventando a tua presença..."

"deve-se viver apesar de."

"O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções."


Clarice Lispector

domingo, 7 de setembro de 2008

Outro tipo de mulher nua


"Nunca vi tanta mulher nua. Os sites da internet renovam semanalmente seu estoque de gatas vertiginosas. O que não falta é candidata para tirar a roupa. Serviu cafezinho numa cena de novela? Posa pelada. É prima de um jogador de basquete? Posa pelada. Caiu do terceiro andar? Posa pelada.
Depois da invenção do photoshop, até a mais insignificante das criaturas vira uma deusa, bastando pra isso uns retoquezinhos aqui e ali. Dá uma grana boa. E o namorado apóia, o pai fica orgulhoso, a mãe acha um acontecimento, as amigas invejam, então pudor pra quê?
Não sei se os homens estão radiantes com esta multiplicação de peitos e bundas. Infelizes não devem estar, mas duvido que algo que se tornou tão banal ainda enfeitice os que têm mais de 14 anos. Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade - emocionalmente.
Nudez pode ter um significado diferente e muito mais intenso. É assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores, sua história. É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente.
Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende, sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos - aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas, é o que nos torna humanas, e não boneca s de porcelana.
Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex, mesmo que saiba demais.
Pouco tempo atrás, posar nua ainda era uma excentricidade das artistas, lembro que esperava-se com ansiedade a revista que traria um ensaio de Dina Sfat, por exemplo - pra citar uma mulher que sempre teve mais o que mostrar além do próprio corpo.
Mas agora não há mais charme nem suspense. Estamos na era das mulheres coisificadas, que posam nuas porque consideram um degrau na carreira. Até é. Na maioria das vezes, rumo à decadência.
Escadas servem para descer também. Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão de pudores verbais, expor nossos segredos e insanidades, revelar nosso interior. Mas é o que devemos continuar fazendo.
Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro.
Não conheço strip-tease mais sedutor."

Martha Medeiros

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Life on a Draw


Estranha e Amada

"A todos trato muito bem. Sou cordial, educada, quase sensata, mas nada me dá mais prazer do que ser persona non grata expulsa do paraíso. Uma mulher sem juízo, que não se comove com nada. Cruel e refinada que não merece ir pro céu, uma vilã de novela, mas bela, e até mesmo culta.
Estranha, com tantos amigos e amada, bem vestida e respeitada. Aqui entre nós, melhor que ser boazinha é não poder ser imitada."

Martha Medeiros

Seja e me deixe ser

"Eu te deixo ser.
Deixe-me ser também."

Clarice Lispector

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Declaração de amor

"Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguajem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Ás vezes se assusta com o imprevisto de uma frase. Eu gosto de manejá-la - como gostai a de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escreve-nos atamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertence r, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queda não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida."

Clarice Lispector

Precisando mudar

"Somos o que fazemos, mas somos, principalmente,
o que fazemos para mudar o que somos."

Eduardo Galeano

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A idade dos fatos

"Não tenho mais idade
pra brincar de esconde-esconde.
Vem me pegar."

Martha Medeiros

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Far Far

Far far, there's this little girl
She was praying for something to happen to her
Everyday she writes words and more words
Just to speak out the thoughts that keep floating inside
And she's strong when the dreams come cos' they
Take her, cover her, they are all over
The reality looks far now, but don't go

How can you stay outside?
There's a beautiful mess inside
How can you stay outside?
There's a beautiful mess inside
Oh oh oh oh

Far far, there's this little girl
She was praying for something good to happen to her
From time to time there're colors and shapes
Dazeling her eyes, tickeling her hands
They invent her a new world with
Oil skies and aquarel rivers
But don't you run away already
Please don't go oh oh

How can you stay outside?
There's a beautiful mess inside
How can you stay outside?
There's a beautiful mess inside

Take a deep breath and dive
There's a beautiful mess inside
How can you stay outside?
There's a beautiful mess
Beautiful mess inside

Oh beautiful, beautiful

Far far there's this little girl
She was praying for something big to happen to her
Every night she hears beautiful strange music
It's everywhere there's nowhere to hide
But if it fades she begs
"oh lord don't take it from me, don't take", she says

I guess i'll have to give it birth
To give it birth
I guess, i guess, i guess i have to give it birth
I guess i have to, have to give it birth
There's a beautiful mess inside and it's everywhere

So shake it yourself now deep inside
Deeper than you ever dared
Deeper than you ever dared
There's a beautiful mess inside
Beautiful mess inside


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Far Far é uma bela música, sem dúvida, e torna Yael Naim a cantora que mais ouço (e aprecio) no momento. Essa letra tem me inspirado tanto que foi a partir dela escolhi o nome para este blog.
Gosto de música alternativa. Ouço, ouço e, felizmente, não canso disso.

O começo


"Corro perigo
Como toda pessoa que vive
E a única coisa que me espera
É exatamente o inesperado"

Clarice Lispector
 

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